RIO
DE JANEIRO - 28/11/2008 18h32 DA
REDAÇÃO REVISTA
DO ÔNIBUS
Viajando com crianças: Cuidados necessários FOTO:
DIVULGAÇÃO O
planejamento da viagem deve ser bem mais cuidadoso quando há
crianças. É importante escolher um destino que tenha atrações
para que elas também aproveitem a viagem e não fiquem entediadas
(o que pode acabar com as suas férias). Você não precisa obrigatoriamente
ir para os lugares mais óbvios, feitos sob medida para os pequenos,
como os parques da Disney ou o Beto Carrero World, em Santa
Catarina. Mas não saia de casa sem pesquisar os programas que
podem agradá-las. Exemplos? Os museus de ciências interativos
sempre fazem grande sucesso. Os pimpolhos podem apertar botões
à vontade, brincar com experimentos e ainda aprendem. Várias
cidades possuem museus desse tipo: Paris, Toronto, Munique,
San Francisco e até Águas de Lindóia, no interior paulista.
Também locais com bichos, como hotéis-fazenda, agradam aos pequenos.
Veja o que combina com cada faixa etária:
0 a 1 ano
Nessa idade, é importante garantir a rotina do bebê. Horários
regulares de mamadas, banho, sono, colo e solzinho ajudarão
o pequeno a aproveitar a viagem. Não se esqueça de levar o cobertor
e o travesseiro, o bichinho de pelúcia que só falta falar –
sim, eles têm objetos pessoais que os fazem sentir em casa nos
hotéis. O ideal são as viagens mais folgadas, para lugares silenciosos
e com natureza: bebês costumam relaxar a partir do segundo ou
terceiro dia fora de casa.
2 a 3 anos
Nessa idade, eles recém-tiraram a primeira "carteira de motorista"
– já estão craques na arte de... andar. Sua autonomia cresce
e o impulso de explorar seus talentos motores é incontrolável.
Atividade física é tudo e eles só desligam quando a pilha acaba.
Quer dizer, o ideal são lugares espaçosos para eles correrem
à vontade, mas de preferência, que tenham uma babá de plantão
para ficar de olho. Aqui começa também o interesse pelos bichos.
4 a 6 anos
As outras crianças passam a fazer parte mais consistentemente
do mundo dos seus filhos. As brincadeiras coletivas ganham força,
dando novo peso às habilidades motoras, cada vez mais sofisticadas.
Resorts e navios com clubes infantis são ótimas pedidas. Os
zoológicos estão no auge e os parques de diversões começam a
valer a pena.
6 a 8 anos
As crianças estão crescendo: o interesse pelo mundo ao redor
cresce junto, e os caras apresentam uma sede de conhecimento
impressionante. Os programas culturais começam a interessar
também a eles – mas vá com calma. O companheirismo é tudo nessa
fase: hora de buscar atividades e lugares para serem compartilhados
de verdade por pais e filhos. Aqui também é uma boa os hotéis
com monitores.
Há hospedagens indicadas para crianças?
Um hotel preparado para receber pequenos é melhor do que outro
qualquer – da programação que ele oferece às condições de segurança
(janelas que não abrem, por exemplo). Assim, se uma pousada
disser “não aceitamos crianças”, não insista. Crianças, antes
de mais nada, gostam de outras crianças. E de espaços para correr,
pular, brincar. Hotéis antigões, do tipo estação de águas, têm
grandes quartos que acomodam bem a todos. Os mais modernos muitas
vezes exigem que se peça um quarto conjugado – mais caro, e
também mais confortável. Nos Estados Unidos e no Caribe, são
comuns os resorts que oferecem estada e alimentação grátis para
os pequenos no quarto dos grandes. Lembrete econômico: não esqueça
de abastecer o frigobar de coisas gostosas compradas fora do
hotel.
Que cuidados tomar com a alimentação das crianças?
Na medida do possível, a alimentação dos pequenos deve se manter
igual à habitual – seja no tipo de alimentos, seja no horário
das refeições. Mas, como viajar é provar, inclusive novos sabores,
tente dar o melhor dos dois mundos – um pouco de escargot e
um pouco de batatas fritas. Eles estão em férias, não estão?
A única recomendação é com a preparação da comida. Em lugares
quentes é melhor abolir a maionese. E, antes de dar um peixe,
camarão ou outro pescado a seu filho, veja as condições em que
ele foi preparado. Massas podem não aumentar a cultura gastronômica
dos pequenos, mas são uma ótima saída para o “não quero, não
gosto”. Deixe a educação para a volta, ok? Se o seu filho ainda
for um bebê que só come papinha, pergunte para o hotel antes
de embarcar se ele faz sopinhas especiais. Você pode se livrar
de um peso se desencanar de reservar uma mala só para os potinhos
industrializados, achando que isso vai facilitar sua vida.
O que fazer se a criança se perder?
Em grandes áreas públicas, por exemplo, desencontros podem acontecer
– e acontecem. Para começo de conversa, coloque um cartão do
hotel no bolso de seu filho (prender o nome em um crachá não
é ridículo!). Sempre combine um ponto de encontro de fácil localização
e instrua-o a pedir ajuda às pessoas uniformizadas para o levarem
até lá (seguranças). Walkie-talkies, com os maiorzinhos, são
uma ótima pedida.
O que levar na mala dos pequenos?
Crianças sujam pelo menos duas mudas de roupa por dia – se o
roteiro não incluir lama! Tenha isso em mente quando preparar
as malas. Se não quiser enfrentar lavanderias, o ideal é fazer
a conta para sobrar pelo menos quatro mudas limpas. Para as
crianças, dois pares de tênis é o mínimo – elas atraem poças.
Nos parques, vista-as da mesma cor, de preferência berrante.
Não deixe faltar bonés, meias extras e roupas de baixo. Chinelos
são fundamentais na areia quente. Alguns itens não podem faltar
na bagagem dos pequenos: Fraldas descartáveis
Fraldas de pano para limpar a boca
Trocador
Sabonete
Xampu
Mamadeira
Chupetas
Toalha
Brinquedos
Roupas e calçados (levar também da estação oposta)
Mantas Babadores
Câmera fotográfica
Talheres de plástico
Carrinho e/ou canguru
Chapéu e/ou gorro
Garrafa térmica
Algodão
Leite em pó e matinais
Bloqueador solar
Repelente
Protetor de tomada
mo economizar em uma viagem com crianças?
Siga as dicas de Luís Carlos Ewald, professor de finanças da
FGV-rio e autor do livro Sobrou Dinheiro – lições de economia
doméstica:
1) Para começar, limite o número de filhos conforme sua renda.
Assim você pode dar um bom padrão de vida, com educação condizente,
e, ainda, mandá-los à Disney e, depois, para um intercâmbio.
2) Antes da viagem, poupe. Tudo depende da sua moral em mantê-los
sob controle, sem caprichos, e da sua paciência em investir
tempo para distraí-los – de bons programas na TV paga ao rodízio
com outras famílias para que as crianças brinquem em várias
casas...
3) Os pacotes de viagem são a melhor opção. E os de classe econômica.
Na hora de comprar um, o melhor é quitá-lo antes de viajar.
Pagar a viagem depois de desfrutá-la dói muito... Uma boa solução
é “poupar” em um pacote comprado antecipadamente e viajar depois
da última prestação.
4) Escolha a melhor moeda a ser levada de acordo com o momento
econômico. O spread entre a compra e a venda do dólar no Brasil
é sempre menor que o do euro – assim você precisa estudar o
assunto antes, conforme sua projeção de gastos.
5) Controle o papai-eu-quero com uma boa educação desde pequeno.
Quem manda na casa? Não tem para gastar, não tem... Se não tiverem
mesada, é possível controlá-los nas lojas. Se tiverem, advirta-os
que, quando ela acabar, vão dançar.
6) Nada de lembrancinhas e presentinhos... poupem para viajar
novamente!
7) Para economizar em alimentação, peça o prato e divida com
seus filhos; se for pouco, peça outro, um a um. Não pode sobrar
por olho gordo...
8) Faça upgrades para o exterior em seu plano de saúde. Não
dá para correr riscos e o custo dos planos é suportável.
9) Dependendo do número de crianças, o melhor é acomodar todo
mundo no mesmo quarto.
10) Na estrada, programe as paradas para o abastecimento com
as pausas para as refeições: mais paradas, mais gastos.. Leve
muita água, sucos e sanduíches de casa. Acostume os pequenos
a evitar refrigerantes e junk-foods.
Tenha sempre a mão:
1) O bom e velho termômetro e um antitérmico adeqüado – um não
vive sem o outro.
2) Uma pomada contra picadas de inseto.
3) Um creme hidratante com algum poder bactericida – para prevenir
assaduras e combater irritações de pele.
4) Uma tesourinha para cortar unha – unha suja e picadas de
inseto são uma combinação perigosa.
5) Uma colher-padrão para o soro caseiro (encontrado em postos
de saúde e farmácia), essencial nos piriris comuns em viagens
.
6) Lencinhos umedecidos – para o bumbum dos bebês e para limpar
as lambanças de picolé e afins dos maiores.
É necessário autorização para viajar com crianças?
Não é mais exigida nas viagens pelo Brasil se a criança menor
de 12 anos estiver acompanhada por apenas um dos pais.
Ela só é necessária:
1) Nas viagens pelo Brasil em companhia de outro adulto que
não os pais. Nesse caso, os pais ou o responsável legal devem
comparecer ao Juizado de Menores com CIC, RG e comprovante de
residência, mais o documento de identidade da criança, para
tirar uma autorização judicial;
2) Nas viagens para o exterior, com apenas um dos pais. O outro
deve autorizar a viagem por escrito, com discriminação do período
e do destino. Para ter validade legal, a assinatura deve ser
reconhecida em cartório.
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